Cansados de praia, sol e férias e antes de voltarem à escola, ficam aqui algumas sugestões:
“Por vezes é preciso fazer a pergunta que uma criança faria para se entender algo”. Eu arrisco: por vezes é preciso saber apreciar algo como uma criança para nos podermos deslumbrar verdadeiramente.
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A ideia de objectivo, de “sonho”, é inerente à película. Também a nós não nos é estranha: motivamos as nossas vidas em função de determinadas resoluções, sejam elas simples, complexas, a curto ou longo prazo. Consigo visualizar a utilidade desta perspectiva: é da motivação adquirida pela necessidade de cumprimento de metas que surgem, muitas vezes, as grandes manifestações da capacidade humana. Chega a ser complicado imaginar o funcionamento de uma sociedade sem a força motriz que o objectivo constitui. No reverso, a obsessividade intimamente ligada a este conceito, em maior ou menor grau, afigura-se-me perigosa. O cumprimento de um objectivo requer sempre esforço ou sacrifício, com consequências para nós e para outros. Cabe-nos decidir até onde estamos dispostos a ir.
Conseguimos dosear as duas partes na medida certa?
É interessante ainda a forma como o filme aborda, sem moralismos excessivos, a temática da interacção entre gerações. Com a ajuda das personagens simbólicas de Carl e Russell, a película “atira-nos” uma reflexão sobre a relação entre o entusiasmo típico da juventude e passividade adjacente aos mais velhos. Não pretende dar a resposta (será que ela existe?), apenas lançar o desafio. Aceitamos importunar-nos?
Não devemos esquecer o verdadeiro escopo de Up: é um filme de animação, feito com o intuito de ser belo, colorido e animador para os mais novos. Ainda assim, conta-se que Einstein terá dito certa vez “Por vezes é preciso fazer a pergunta que uma criança faria para se entender algo”. Eu arrisco: por vezes é preciso saber apreciar algo como uma criança para nos podermos deslumbrar verdadeiramente
António Martins, sj»
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